sábado, 14 de março de 2015

CERTOS DIAS ERRADOS

Dias ruins também existem, por vezes com uma frequência desconfortável, ou somente para abrilhantar os dias bons.
Mas a verdade é que eles existem e nos provam que nem tudo é festa.
Certas situações nos fogem ao controle e quando nos damos conta estamos no meio de furacões.
Bom, e ai é só curtir o balanço, esperar ele parar de te sacudir, porque por mais que você se debata isso só te cansará. A resistência só irá te levar o fôlego.
Quando uma tempestade chega, não há muito que fazer, na verdade o problema não está na tempestade, e sim a arruaça que ela traz, deslocando nossas certezas e abalando todos os nossos cantos.
Quando passamos por uma adversidade muito intensa tudo muda de cor, todas as nossas certezas se movem para diante de nós com uma cruel questão, elas querem saber se são certezas mesmo.
Essa bagunça não vai embora com a tempestade, ela fica. Ela te obriga a reorganizar sua vida, a rever seus conceitos. Tempestades são curtas na verdade, o que perdura é o estrago.
Bom, mas assim como as tempestades os problemas nas nossas vidas também são inevitáveis, e sendo assim só nos resta lidar com eles da melhor forma possível.
Juntar os cacos, desapegar do que se quebrou e olhar com mais carinho para as coisas que foram fortes o suficiente naquela queda, e começar a faxina.
E essa faxina não pode ser leve não, ela tem que ser pesada, arrastando tudo, revendo tudo, limpando tudo.
Mas existe um lado bom nos temporais, na verdade vários aspectos positivos, o primeiro é o silêncio que fica quando ele se vai.
Esse silêncio serve para você notar que tudo acabou, serve para você se levantar, é um sinal de que você precisa estar de pé.
O clima muda, muda o ar. Muda o cenário.
As tempestades levam coisas, e isso também é um lado bom, abre-se um espaço em nossas vidas para que possamos eleger melhor o que ocupará esse espaço.
A tempestade faz bastante barulho, e depois dela não é qualquer coisa que te assusta, e isso te faz forte, te faz valente. Não te deixa recuar diante qualquer batida de pé.
Se hoje o cenário está cinzento e você não vê muitas chances de melhora, pare de desejar que as coisas se ajeitem.
Comece a querer que tudo se agite. E que venha logo a turbulência, pois quanto mais ela demora para chegar, mais demora para ir embora.
Deseje que as coisas se quebrem, deseje que o vento leve, que a água lave.
Pois só assim você verá renovação em seus dias, só assim você saberá o que é forte suficiente para compor o cenário da sua vida.
Deixe que os cacos sejam varridos pra longe, cacos só irão te ferir, não servem para nada, deixe-os ir.
Não tenha medo de mudar, pois muitas vezes a tragédia está no marasmo, na quietude.
O que fica da tempestade é o silêncio da reflexão e um bom marinheiro.
Seja um bom marinheiro, pois todos caem, mas só os perdedores ficam no chão.

ANGÉLICA MARQUES