segunda-feira, 10 de novembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
PASSADO
O passado só deveria se chamar passado a partir do
momento que fosse mesmo “passado”. Mas durante o tempo que ainda nos atormenta
deveria ter outro nome.
Tudo que vivemos
tem uma razão de ser e de acontecer, passamos por tantas coisas que a princípio
não entendemos, mas, que depois se tornam claras.
Quando não
conseguimos entender a lição que determinado fato nos trouxe, é porque ainda
não aprendemos o que tínhamos que aprender.
E a lógica é
simples, a gente aprendeu já na escola isso, não aprendeu: reprova, faz de
novo, repete.
E ficamos nós
perdendo tempo, tentando superar coisas insuperáveis ao invés de voltar e
resolver, pegar o bônus do ensinamento que as situações difíceis nos trazem.
Remoemos ao
invés de arregaçar as mangas e destrinchar os problemas.
Dúvidas são
muito mais cruéis do que certezas duras, mas a gente não tem coragem, a gente
prefere sempre se enganar, e assim vamos enchendo nossa mochila de mágoas,
enchendo a cada dia com incertezas e nós na garganta.
A conta chega é
claro, sempre chega.
Além do fato de
percorrer o nosso caminho sempre com esse peso, nos cansando demasiadamente ao
invés de viver uma vida leve, ainda tem a aquela hora que a mochila não
aguenta.
E um dia tudo
vem a tona, todas as mágoas, todas as questões que deixamos de resolver,
algumas porque julgamos menos importantes, outra porque envolvia esforço
emocional demais, e tudo de repente está ali, jogado a sua frente, tudo junto,
gritando por solução.
Não encha demais
sua mochila, não deixe os nós em sua garganta te sufocarem, resolva suas
questões, se dedique a suas emoções, sejamos emocionalmente saudáveis.
A saúde
emocional é a base da nossa vida, e se a “cachola” não anda bem, com certeza
todo o resto estará comprometido.
Ou você acha que
dá para empurrar a vida com a barriga eternamente?
Não dá! A gente
sofre, a gente carrega passado demais em nosso presente e com isso arrebenta
com nosso futuro.
Precisamos
entender que determinadas coisas que insistimos em querer em nossas vidas
simplesmente não nos cabe, não nos fariam bem, tem Gente cuidando disso, temos
que confiar mais em Deus, entender de uma vez por todas que a gente nada sabe
dessa vida.
Queremos tudo de
imediato, queremos ser amados, bem sucedidos, ouvidos, entendidos,
reconhecidos, e tantos outros desejos temos.
E em
contrapartida não queremos ao menos esperar, não oferecemos nada em troca de
tudo que queremos.
Parar, refletir
se até aqui deu certo, cessar condutas improdutivas, fazer um balanço dos teus
dias, isso é saudável.
Dar uma
sacudida, fechar certos ciclos, deixar certos hábitos, isso sim é honesto
consigo mesmo.
Dar passos para
a frente sim, mas ponderando o que você quer levar daqui pra frente, e
principalmente desapegando de coisas que você não quer mais no seu caminho,
transformando coisas e pessoas simplesmente em “passado”.
Angélica Marques
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
NOSSO QUINTAL
Tragédia
anunciada! Muitas pessoas indignadas, outras até transtornadas, cada um
revestido das suas razões e na busca incessante de culpados para justificar o
fato de que nem sempre as coisas acontecem de acordo com a nossa vontade.
(sorte nossa).
As pessoas estão
com medo, assustadas, pois desejavam a tal mudança, e essa com certeza não
virá.
Como qualquer
pessoa deste país, logo comecei a pensar sobre a questão. Primeiro minha reação
seguiu a onda dos meus pares, fiquei com medo, aflita e insegura em relação aos
rumos que provavelmente nosso país tomará, mas em seguida encontrei alento em
algumas conclusões.
Nada é novo,
nossos problemas são velhos, sempre os mesmos. Não que o cenário não seja
alarmante, mas se voltarmos um pouco no tempo certamente chegaremos à conclusão
de que tudo está como sempre esteve, com nova roupagem, mas as questões são
sempre as mesmas, o que muda é a forma como encaramos as coisas.
Vejamos, eu
penso que “jamais na história deste país” houve tanta piriguete por metro
quadrado, penso que algumas mulheres levam muito a sério a missão de chocar e
escandalizar com os modelos de comportamento.
Mas estou
começando a ver com outros olhos essa e outras questões. As piriguetes sempre
estiveram por aqui, a única diferença é que eram chamadas de “perdidas”, ou
alguns outros nomes.
A única
diferença é que há tantos anos atrás a existência delas em nada me afetava. Hoje
tenho um filho adolescente e por mim eu exterminaria todas as mulheres da face
da terra, nem precisavam ser “perdidas”.
Essa é a
diferença: hoje, esse fato, afeta diretamente minha vida.
E não é
diferente em tantos outros assuntos, ou vai dizer que é a primeira vez que
falta água?
Não é! E também
não será a última, só que hoje temos consciência deste fenômeno e sabemos
calcular a nossa culpa, o peso dos nossos atos.
E na bendita política
não podia ser diferente. Há algum tempo pouco me importava se a gasolina
custasse um ou mil reais, eu nem carro tinha, não era comigo, eu não me
importava. Influenciava minha vida, mas eu não sabia.
E agora? Tudo
nos importa, é com a gente, é no meu e no seu bolso, por isso que parece maior,
mais grave, e definitivo.
Políticos e
desonestos sempre foram duas palavras da mesma frase, quase que inseparáveis. E
foi sempre assim, e sempre será.
Nossa
consciência e lucidez, trazidas pela idade ou pela experiência, nos castiga a
cada dia nos lembrando que não tem “test drive” na vida real, que não dá para
começar de novo, não dá para pular uma jogada. Não dá!
Agora é pra
valer, e a percepção de que tudo está afundando é mesmo assustadora.
O que mudou?
Nada, ou quase nada. Esse caos é no nosso quintal desde sempre, a única
diferença é que enxergamos isso com clareza neste momento.
Clareza que com
certeza não chegou a todos os cantos do Brasil, pois se assim fosse estaríamos
ao menos esperançosos com uma possibilidade de melhora. Mas...
ANGÉLICA MARQUES
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
# PARTIU
Na era da interação
total entre as pessoas, da digitalização das relações, uma questão importante
deve ser objeto da nossa reflexão.
A morte
geralmente é um fenômeno que mexe comigo em particular, não necessariamente de
alguém que eu estime, mas das pessoas em geral.
Foi o que
ocorreu dia destes. Primeiro, eu vi no Facebook as lamentações em relação à
morte de uma jovem de apenas 35 anos. Em apenas uma postagem que se referia à
partida precoce da menina, havia mais de 150 curtidas, vários comentários, ou
seja, 150 pessoas que “supostamente” lamentavam o ocorrido.
Até aí tudo bem,
a moça era jovem, pela minha superficial análise fora acometida por uma doença
ingrata, e era de se esperar a revolta e tristeza de seus “amigos”.
No mesmo dia fui
ao velório em razão do falecimento de alguém próximo, logo pensei que o lugar
estaria lotado, cheio dos amigos da jovem, aqueles que tanto lamentaram sua
partida nas redes sociais.
Para minha
surpresa, ou nem tanto, o local estava sim cheio, mas cheio de tristeza, e
cheio de ausências.
Havia alguns
familiares desolados e alguns curiosos como eu, ninguém mais.
Centenas de
mensagens foram deixadas em seu perfil, porém nenhuma pessoa teve a coragem de
abraçar aquela mãe.
Centenas de
curtidas, centenas de “vá em paz, amada” “descanse em paz, guerreira”. Mas
nenhuma lágrima de verdade, somente as dos familiares mais próximos.
O Facebook
estava de luto! E a mãe estava sozinha naquela cadeira inóspita.
Aquela cadeira
que um dia acolherá a minha mãe, e a sua, e a de todos nós, aquela cadeira que
será ocupada pelas pessoas que realmente se importam com você.
Não que as
lamentações fossem falsas, ou mentirosas, não é esse o X da questão.
A Questão é que
ninguém vive mais de verdade, ninguém ama de verdade, ninguém sequer sofre de
verdade.
Conte quantos
amigos você tem nas redes sociais. Contou? Agora analise o seguinte: para quem
você pode ligar e contar das suas aflições, das suas lutas? Alguém se importa?
Quantos deles te
ligarão caso você poste que não está bem de saúde?
Quantos deles
respondem o seu bom dia, ou lhe ofertam um?
É isso, mais uma
vez está constatado que estamos vivendo como em um folhetim, e no final do dia
somos todos seres solitários.
Somos notícias
vazias, gostamos de frases bonitinhas, e assim nos resumimos a cada dia.
Não conseguimos
dar valor a quem está perto de verdade, não conseguimos mais manter relações verdadeiras.
Quem se importa
de verdade com você, já parou para pensar nisso? E mais do que isso, você já
parou para dar atenção a essa “meia dúzia” de pessoas que ocuparão aquelas
cadeiras inóspitas?
Quem vai estar
lá quando alguém publicar que você #partiu?
Angélica Marques
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
POST LUTE!
Alcança teus
objetivos, lute como puder do seu jeito, com suas próprias armas.
A partir do
momento que sua luta é legítima ninguém questionará as tuas vitórias.
Angélica Marques
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Dispa-se!
Estamos tão
acostumados a nos vestir de super-heróis que às vezes esquecemos de voltar para
nossas vestimentas originais.
Somos quem somos
de verdade, somos também o que pensam de nós, somos o que acreditamos ser e às vezes
somos aquilo que esperam da gente, e isso é um pouco confuso, tanto para ler,
quanto para administrar no dia a dia.
Como chefes de
uma família não podemos titubear, demonstrar fraquezas ou medos, pois se assim
agirmos estaremos enfraquecendo as pessoas que conduzimos.
Como filhos,
nunca devemos demonstrar sofrimento demais, pois isso arrebataria o coração dos
nossos pais, que sofrem dobrado pelas nossas angústias.
Já como pais,
devemos mostrar naturalidade diante dos percalços dos nossos pequenos, para
incentivá-los a serem fortes e não se deixarem abater por pouco.
Diante da
sociedade devemos parecer felizes e diante dos nossos pares nem tanto, a fim de
que nos proporcionem mais afeto, mais colo.
E assim seguimos
nossas vidas representando papéis, vivendo em várias peles, em vários mundos,
em várias cores.
Acontece que não
somos o que parecemos ser. Não somos o que os outros querem, não somos o que
queremos e menos ainda o que acreditamos ser.
Nós somos a soma
de tudo que vivemos e tudo que nos fizeram, e essa fórmula não está nos livros
de química e nem em qualquer outro manual, essa fórmula é uma fórmula surpresa
que um dia explode à nossa frente.
Sabe aquela
apontada de dedo que alguém te mostrou olhando bem nos teus olhos? E que você
jurou não ter te afetado. Pois é, afetou sim, e quando você menos esperar vai
doer, e vai te incomodar como se tivesse acontecido horas atrás.
Aquela palavra
áspera, a ausência da resposta que você tanto esperava, o abraço menos apertado
que te deram, quando você esperava muito mais.
Tudo o que
passamos se não foi bem resolvido vai voltar, e voltar de forma cruel,
castigando pela demora, como se fosse um acréscimo de juros pelo tempo de
espera.
Já vi homens
fortes chorarem por tão pouco, coisas tão pequenas, e enfrentarem avalanches
com o peito aberto.
Mulheres fortes
e cheias de atitudes clamarem pelo único beijo que não lhe foi dado, o beijo de
um pai, o abraço de um irmão.
Todas essas
contas nos serão apresentadas, e no momento mais inoportuno possível, bem
quando nossas janelas estiverem abertas, bem quando nossos telhados forem de
vidro.
Não deixe
amanhecer. Não deixe o dia passar, muito menos os anos, menos ainda uma vida
inteira.
O grito que não
sai da tua garganta pode te sufocar. Se não gostou, grite. Reclame proteste.
Se achou pouco o
que lhe deram, peça mais, reivindique seus direitos, seus amores, seus abraços
e até aquele tapa que no fundo você sabe que mereceu.
Não deixe a
mágoa escurecer a sua visão do mundo, a sua visão sobre as pessoas.
É bem mais fácil
perdoar as palavras que foram ditas aos gritos do que as que as abafadas pelo
silêncio.
Deixe
transparecer as tuas feridas, para que alguém possa vir e curá-las.
Não se faça de
forte por muito tempo, isso é muito cansativo e só vai ferir a você mesmo.
Entre em
repouso, respire e se deixe cuidar, se deixe parecer fraco, se deixe perder
algumas coisas, às vezes é preciso perder.
Dispa-se das
suas armaduras e coloque os teus pés no chão, olhe para você mesmo e se
aproxime de quem você é de verdade.
Devemos ser mais
o que somos e menos o que esperam de nós.
Angélica Marques
terça-feira, 14 de outubro de 2014
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