Na era da interação
total entre as pessoas, da digitalização das relações, uma questão importante
deve ser objeto da nossa reflexão.
A morte
geralmente é um fenômeno que mexe comigo em particular, não necessariamente de
alguém que eu estime, mas das pessoas em geral.
Foi o que
ocorreu dia destes. Primeiro, eu vi no Facebook as lamentações em relação à
morte de uma jovem de apenas 35 anos. Em apenas uma postagem que se referia à
partida precoce da menina, havia mais de 150 curtidas, vários comentários, ou
seja, 150 pessoas que “supostamente” lamentavam o ocorrido.
Até aí tudo bem,
a moça era jovem, pela minha superficial análise fora acometida por uma doença
ingrata, e era de se esperar a revolta e tristeza de seus “amigos”.
No mesmo dia fui
ao velório em razão do falecimento de alguém próximo, logo pensei que o lugar
estaria lotado, cheio dos amigos da jovem, aqueles que tanto lamentaram sua
partida nas redes sociais.
Para minha
surpresa, ou nem tanto, o local estava sim cheio, mas cheio de tristeza, e
cheio de ausências.
Havia alguns
familiares desolados e alguns curiosos como eu, ninguém mais.
Centenas de
mensagens foram deixadas em seu perfil, porém nenhuma pessoa teve a coragem de
abraçar aquela mãe.
Centenas de
curtidas, centenas de “vá em paz, amada” “descanse em paz, guerreira”. Mas
nenhuma lágrima de verdade, somente as dos familiares mais próximos.
O Facebook
estava de luto! E a mãe estava sozinha naquela cadeira inóspita.
Aquela cadeira
que um dia acolherá a minha mãe, e a sua, e a de todos nós, aquela cadeira que
será ocupada pelas pessoas que realmente se importam com você.
Não que as
lamentações fossem falsas, ou mentirosas, não é esse o X da questão.
A Questão é que
ninguém vive mais de verdade, ninguém ama de verdade, ninguém sequer sofre de
verdade.
Conte quantos
amigos você tem nas redes sociais. Contou? Agora analise o seguinte: para quem
você pode ligar e contar das suas aflições, das suas lutas? Alguém se importa?
Quantos deles te
ligarão caso você poste que não está bem de saúde?
Quantos deles
respondem o seu bom dia, ou lhe ofertam um?
É isso, mais uma
vez está constatado que estamos vivendo como em um folhetim, e no final do dia
somos todos seres solitários.
Somos notícias
vazias, gostamos de frases bonitinhas, e assim nos resumimos a cada dia.
Não conseguimos
dar valor a quem está perto de verdade, não conseguimos mais manter relações verdadeiras.
Quem se importa
de verdade com você, já parou para pensar nisso? E mais do que isso, você já
parou para dar atenção a essa “meia dúzia” de pessoas que ocuparão aquelas
cadeiras inóspitas?
Quem vai estar
lá quando alguém publicar que você #partiu?
Angélica Marques
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