sexta-feira, 11 de julho de 2014

PAIXÃO

O que faz de alguém melhor aos nossos olhos?
O que faz uma pessoa entre tantas outras especial aos nossos sentidos, todos eles.
O que faz de um simples cheiro (às vezes até de um perfuminho barato) nos inebriar?
O que faz de certos defeitos motivos de admiração? 
Pouco sei sobre essas respostas, mas confesso que todas essas perguntas me assolam.
Entre tantas pessoas elegemos apenas uma para que seja o senhor (senhora) da nossa razão, para que mande e desmande em nossas vontades e nos faça acreditar que estamos felizes ou não.
Algumas pessoas chamam de paixão, há quem acredite que se trate de uma doença, diz a escritora Danuza Leão que existem clínicas especializadas nos Estados Unidos onde os “apaixonados” podem se internar até que se tenha de volta o juízo normal.
Particularmente acredito que é mesmo uma doença essa tal paixonite, um sentimento insano que nos rouba simplesmente o essencial a nossa existência.
Mas, se é tão ruim, por que nos faz tão feliz? Se é tão ruim por que ao longo de nossas vidas quando ficamos algum tempo sem desfrutar deste sentimento nos sentimos vazios?  Incompletos?
Por outro lado não pode ser bom se nos rouba o juízo, se nos tira a dignidade e o amor próprio e quase sempre a paz.
Esse é um texto de perguntas, somente perguntas, e lá vai mais uma: Quantas vezes passamos por isso nesta vida? Quantas vezes somos capazes de suportar a total ausência de juízo? De ver furtados nossos sentidos?
Quantas vezes nosso coração é capaz de se partir em mil pedaços?  E depois de partido, ele volta à forma original?
Quanto às respostas digo que só podem ser buscadas em uma mesa regada a algo tão forte quanto á dor de cada um, eu particularmente não as tenho, e sinceramente não pretendo tê-las, nuca! Jamais!
Ignorando essas respostas podemos viver plenamente esse sentimento, e deixar que esse tsunami arraste para longe todas as nossas certezas.
A paixão obviamente não tem ligação nenhuma com o amor, assim como muito sabiamente disse Arnaldo Jabor e cantarolou Rita Lee, o amor é cristão e o sexo é pagão.
Amor, sexo, paixão, o certo mesmo é jamais misturar isso, nem um com o outro e nem o outro com um, nada! Cada um no seu espaço, fazendo seu papel.
Falando em papel, o amor tem seu papel, um ilustre convidado em nossas vidas, o sexo ainda mais... Mas a paixão, para que serve mesmo?
Seres apaixonados são desprovidos de seus sentidos e são capazes de ignorar até as leis da física, da química e até as leis dos homens.
Ora excelência, o ato fora cometido por paixão! E para isso deve ter perdão!
Até a lei se curva diante a insanidade que acomete os apaixonados, sendo assim vejo pouca esperança de equacionar esse sentimento.

Angélica Marques




Provoque!


quinta-feira, 10 de julho de 2014

ESPERANÇA


A palavra já vem cheia de promessas, cheia de doçura e de juras, a ideia de esperança nos leva, para o bem e também para outros rumos.
Culturalmente só vemos o lado bom dela, a esperança tanto pode nos levar a alçar voos mais altos, nos encorajar, quanto afundar-nos nos mais sombrios abismos.
Esse sentimento cultivado como positivo também pode nos causar embaraços, e às vezes nos impedir de seguir em frente quando isso é necessário.
A esperança oferece um amparo indiscriminado ao nosso querer e por vezes esse amparo vem de encontro a alguns casos que já não oferece mais nenhuma condição de sucesso.
A entrega é importante, a persistência idem, mas seguir em frente é essencial.
A entrega incondicional acontece principalmente quando queremos muito alguma coisa, quase sempre corremos o risco de ficarmos obcecados e nos debruçar em um falso sentimento de motivação.
Lembrando que a motivação nutriu tanto belos feitos da humanidade quanto os mais impuros.

Para fazer brotar um sentimento de esperança basta uma boa palavra amiga, um ombro verdadeiro, uma doce faísca de luz e boas expectativas.
Todos nós adoramos trazer alguma esperança para o próximo, trazer essa faísca motivadora.
Mas em contrapartida o que faz morrer a esperança? O que apaga a chama? O que abala nossas expectativas? E quando se faz necessário esse chamamento a realidade, quem o faz? Quem se arrisca a ser o destruidor de sonhos, o destruidor de possibilidades, quem tem coragem de ser o balde de agua fria?
Na busca pelo autoconhecimento é importante saber os limites dos nossos sentimentos, saber exatamente o que nos move e o que nos trava.

Para dominar nossos sentimentos e lidar com nossos desafios é importante saber como despertar o melhor em nós, como despertar o melhor do outro, esse conhecimento é a única ponte que existe neste abismo de emoções que somos, e manter essa ponte robusta e fincada em um bom terreno é muito inteligente.

Com o passar do tempo percebo que um carro veloz e potente se torna uma verdadeira arma se não tiver bons freios, a esperança é o combustível para a nossa vida, e os freios somente são desenvolvidos após várias colisões.

Não se trata de amargura ou falta de fé, se trata de maturidade, se trata de ponderação, preservação pessoal.
Nada contra a esperança, só é necessário cautela com o nevoeiro que vem com ela, este nevoeiro pode encobrir algumas curvas perigosas.
Temos que tomar muito cuidado onde investimos nossas energias, onde apostamos nossas fichas, porque apesar de todos falarem que a vida é curta, eu acrescentaria a essa característica de tempo outra, a vida além de curta é também única. E por ser única requer certos cuidados.
O tempo que dedicamos a estarmos felizes é o que nos move para todo o resto, nos move para o trabalho, nos move para o amor, nos move para ter compaixão e para evoluir, e isso é muito bom.
Para não ser atingido por este nevoeiro temos que estar sempre atentos, e avaliar o momento certo, tanto para mergulhar de cabeça em um projeto, quanto para sair dele sem olhar para trás.
Desistir de algo soa com um tom de fracasso, mas nem sempre é assim, e infelizmente só teremos essa visão depois de largos passos a frente, largos e dolorosos passo que damos em sentido contrário dos nossos desejos.
Saber chegar é tão importante quanto saber partir, e lembrando sempre que o final sempre precede um novo início.
Não é de bom tom deixar a teimosia ser rotulada como esperança, deixar a insistência vazia e marrenta ser chamada de tentativa.

Muitas vezes lutamos tanto por determinada coisa que no meio da luta aquilo nem mais nos interessa e ainda assim pelo vício, pelo mau hábito continuamos a nos debater, não mais pelo que queríamos, mas sim para vencer uma batalha inútil.
ANGÉLICA MARQUES

quarta-feira, 9 de julho de 2014

CONSELHOS


CONSELHOS

Em pauta aqueles conselhos que sempre buscamos quando passamos por uma situação qualquer, concluo, mesmo que prematuramente que são sempre inúteis.
Peço perdão pela conclusão seca e indócil, mas isso me toma neste momento.
Nomeamos pessoas comuns, mortais, pecadores como você e como eu, com os mesmos medos e com as mesmas fraquezas para divagar inutilmente sobre temas que muitas vezes desconhecem.
Mesmo assim buscamos essas opiniões, receitas, fórmulas supostamente mágicas de resolver situações pelas quais somos diariamente submetidos.
Conselhos... será que é mesmo verdadeiro o ditado? Se fosse bom era vendido. Acho que é quase isso.
Ninguém está capacitado para indicar o melhor caminho de uma estrada que desconhece, esses apontamentos além de inúteis podem ser perigosos.
Se colocar no lugar do outro e decidir, mesmo que no campo das ideias, qual a melhor postura a adotar é um comportamento muito arriscado.
Existem pessoas tão desfocadas da realidade que seguem exatamente aquilo que lhe é apresentado, sem ponderações, adequações ou questionamentos. Esse é o grande risco de “palpitar” na vida alheia, conduzir o outro diretamente para o buraco.
Penso que pedir opinião para outras pessoas é quase um vício, um hábito que nos liberta da responsabilidade de decidir sobre a própria vida.
Algumas pessoas sabem exatamente o que dizer, na hora certa, para a pessoa certa, esta habilidade muitas vezes é confundida com sensatez, porem, não passa de um dom com as palavras, e o fato de dizer coisas agradáveis e fazer pontuações adequadas não significa estar habilitado para indicar caminhos a serem seguidos.
É evidente e até bíblico que devemos nos orientar a respeito de alguns assuntos relevantes, o livro de Salomão, por exemplo, é todo baseado nesta teoria, de que devemos nos aconselhar com os mais sábios a respeito de temas que desconhecemos, lembrem-se, com os “mais sábios”.
O fato é que nossos critérios para a escolha de nossos conselheiros são rasos e desprovidos do cuidado que essa atitude requer, ao pedir um conselho mesmo que você não entre em detalhes sobre o problema, você estará expondo sua intimidade e na maioria das vezes a intimidade de outra pessoa envolvida.
E uma vez que sua vida cai na roda das opiniões, como brecar esse fenômeno? Impossível.
Limite a quantidade de pessoas as quais você expõe a sua vida, e ao eleger essa pessoa leve em conta quem ela elegerá para contar tudo que acabou de ouvir.
Estamos sempre buscando no outro as respostas para nossas questões.
É assustador pensas nisso, se não nos apegarmos a esses paliativos somos obrigados a assumir o leme de nossas vidas, somos obrigados a admitir que somos senhores da nossa razão, e ainda que todas as consequências dos nossos atos recairão exclusivamente sobre nós, únicos culpados por nossas escolhas, sendo essas escolhas sugestionadas ou não.

Angélica Marques

terça-feira, 8 de julho de 2014

As cartas que eu não mandei - (trecho)


Deveria ter alguém de plantão vinte e quatro horas por dia, para ler nossos e-mails, aqueles que apagamos após escolher minunciosamente cada palavra, e depois por conta do bom senso deletamos.

Angélica Marques

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Um Ex amigo.

Um ex-amigo.

Os amigos certamente foram criados para nos ajudar a suportar certas fases das nossas vidas sem enlouquecer completamente. Embora eu tenha alguns que colaboram com minha insanidade.
Algo nos leva a eleger uma pessoa entre tantas, somente para “querer bem”, a amizade é um amor diferente, maior, menor, enfim, a amizade é um sentimento muito doce que se preservado pode nos proporcionar momentos ótimos de cumplicidade.
Conheço muitas pessoas que trocam muito de amigos, hora estão com uma turma, hora com outra, e quando questionadas sobre os velhos amigos, simplesmente dizem que se afastaram.
Não vejo problemas em conhecer novas pessoas estar com novas tribos, mas eu particularmente tenho poucos amigos, contabilizo em uma de minhas mãos.
Essas pessoas que elegi como amigos de verdade são pessoas totalmente diferentes, nunca notei nenhum traço de semelhança na personalidade delas, a única coisa em comum é que são absolutamente amadas, só isso.
A primeira pessoa eleita compartilha comigo a minha vida a mais de 20 anos, e as outras estão também nesta faixa.
Me questiono se ficamos mais seletivos com o passar do tempo ou se as pessoas andam fechadas para esse tipo de relacionamento.
Quando temos um amigo de verdade tudo nele nos afeta, todo o sofrimento que esta pessoa passa nos atinge, nos aflige, queremos realmente o seu bem.
Diferente do amor entre homem e mulher, onde a única coisa que nos interessa é a presença física do ser amado, estando ele feliz ou não.
No entanto mesmo tendo vivido boas fases de nossas vidas ao lado dessas pessoas, essa relação passa por muitas mudanças, e isso nem sempre é bom.
Nós, seres humanos, estamos submetidos a uma série de desafios diário, experiências e sofrimentos que vão nos moldando e construindo, ou destruindo, nosso caráter.
Essa construção é individual e intransferível, mesmo você estando dia a dia com alguém certamente irão evoluir de forma distinta, cada um em seu ritmo.
E um belo dia você em um bate papo informal com aquela pessoa tão querida, você percebe que as afinidades já não existem e que não partilham mais pontos de vista.
Isso é geralmente um choque, sofrível por vezes, afinal está pessoa é parte de você.
Diz a escritora Danuza Leão que é necessário um “recadastramento” dos amigos, assim como em bancos, quando li a frase discordei completamente, porque levei ao pé da letra. Mas hoje guardadas as devidas proporções, acho que o dia a dia se encarrega deste recadastramento, a seleção é inevitável.
Velhos amigos são um privilégio, porém devemos lembrar sempre que cada um teve suas experiências e suas próprias batalhas.
Não devemos esperar que nossos velhos amigos estejam sempre antenados as nossas ideias e aos nossos ideias de vida, afinal o caminho percorrido foi diferente.
E a dica não poderia ser diferente, seja razoável com seu julgamento, tente entender que tudo muda e seu amigo não é diferente das outras pessoas.
E para finalizar, não espere que o outro faça o mesmo por você, afinal estamos falando de um EX amigo.

Angélica Marques



domingo, 6 de julho de 2014

Um ex-amigo.

Um ex-amigo.
 
Os amigos certamente foram criados para nos ajudar a suportar certas fases das nossas vidas sem enlouquecer completamente. Embora eu tenha alguns que colaboram com minha insanidade.
Algo nos leva a eleger uma pessoa entre tantas, somente para “querer bem”, a amizade é um amor diferente, maior, menor, enfim, a amizade é um sentimento muito doce que se preservado pode nos proporcionar momentos ótimos de cumplicidade.
Conheço muitas pessoas que trocam muito de amigos, hora estão com uma turma, hora com outra, e quando questionadas sobre os velhos amigos, simplesmente dizem que se afastaram.
Não vejo problemas em conhecer novas pessoas estar com novas tribos, mas eu particularmente tenho poucos amigos, contabilizo em uma de minhas mãos.
Essas pessoas que elegi como amigos de verdade são pessoas totalmente diferentes, nunca notei nenhum traço de semelhança na personalidade delas, a única coisa em comum é que são absolutamente amadas, só isso.
A primeira pessoa eleita compartilha comigo a minha vida a mais de 20 anos, e as outras estão também nesta faixa.
Me questiono se ficamos mais seletivos com o passar do tempo ou se as pessoas andam fechadas para esse tipo de relacionamento.
Quando temos um amigo de verdade tudo nele nos afeta, todo o sofrimento que esta pessoa passa nos atinge, nos aflige, queremos realmente o seu bem.
Diferente do amor entre homem e mulher, onde a única coisa que nos interessa é a presença física do ser amado, estando ele feliz ou não.
No entanto mesmo tendo vivido boas fases de nossas vidas ao lado dessas pessoas, essa relação passa por muitas mudanças, e isso nem sempre é bom.
Nós, seres humanos, estamos submetidos a uma série de desafios diário, experiências e sofrimentos que vão nos moldando e construindo, ou destruindo, nosso caráter.
Essa construção é individual e intransferível, mesmo você estando dia a dia com alguém certamente irão evoluir de forma distinta, cada um em seu ritmo.
E um belo dia você em um bate papo informal com aquela pessoa tão querida, você percebe que as afinidades já não existem e que não partilham mais pontos de vista.
Isso é geralmente um choque, sofrível por vezes, afinal está pessoa é parte de você.
Diz a escritora Danuza Leão que é necessário um “recadastramento” dos amigos, assim como em bancos, quando li a frase discordei completamente, porque levei ao pé da letra. Mas hoje guardadas as devidas proporções, acho que o dia a dia se encarrega deste recadastramento, a seleção é inevitável.
Velhos amigos são um privilégio, porém devemos lembrar sempre que cada um teve suas experiências e suas próprias batalhas.
Não devemos esperar que nossos velhos amigos estejam sempre antenados as nossas ideias e aos nossos ideias de vida, afinal o caminho percorrido foi diferente.
E a dica não poderia ser diferente, seja razoável com seu julgamento, tente entender que tudo muda e seu amigo não é diferente das outras pessoas.
E para finalizar, não espere que o outro faça o mesmo por você, afinal estamos falando de um EX amigo.  Angélica Marques.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Iguais?

Somos todos iguais, o que nos diferencia é o tanto que lutamos contra esse fato. Angélica Marques

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Se cada um cedesse aos próprios desejos, livremente sem entraves morais ou sociais, no mundo não haveria meio termo, ou seriamos absurdamente felizes, ou sucumbidos pelo tédio da satisfação plena.
Angélica Marques

terça-feira, 1 de julho de 2014





Nos resumimos tanto a fim de caber na vida de algumas pessoas que nos tornamos rascunhos de nós mesmos. Ninguém mais tem tempo nem interesse em  conhecer a "obra completa" (Angélica Marques)